quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Mais amor!

Lambe-Lambe. 
Disponível em: <http://lounge.obviousmag.org/lagar_de_ideias/2015/02/ha-pouco-lia-o-jornal.html>. Acesso em: 18/02/2015.

Nunca tinha prestado atenção nesta frase... De tanto ver os tais lambe-lambes nas ruas da cidade, não parei para pensar no sentido. São Paulo é assim, tem muito de tudo e tudo é muito comum.
Mas nem sempre foi assim!

A cidade ficou no ostracismo por mais de dois séculos, afinal poucos conseguiam vencer a subida da Serra do Mar. Muitos escritores descrevem os paulistanos como um "povo bronco": visitantes não eram bem vindos. Mas tudo isso muda com o café! Sem esquecer da abolição da escravatura, que favoreceu a imigração de várias etnias para o Estado.

O porto de Santos dava as boas vindas, e os trabalhadores subiam a serra nos trens da SPRailway. Funcionários da Hospedaria dos Imigrantes garantiam a estadia temporária das famílias, e o serviço incluía a distribuição destes trabalhadores para as fazendas do interior do Estado.
Porém, grande parte deles ficaram por aqui. 

E logo em seguida, os migrantes de outros estados chegaram em busca de novas oportunidades, fugindo da pobreza de suas cidades.

E assim São Paulo - a Metrópole - se formou: heterogênea. 
Pessoas de todas as naturalidades e nacionalidades formaram a maior cidade da América do Sul.
São quase 12 milhões de pessoas! 
Mais cade o amor?

A cidade desperta dois sentimentos distintos: o amor ou o ódio... Isso é o que eu escuto... Mas não concordo!
Acredito que temos que amar o lugar que moramos, que nos acolhe, que nos dá oportunidades de crescimento (cultural, profissional, pessoal)!
Como não amar o lugar onde se vive??? Como não amar o lugar que VOCÊ ESCOLHEU para viver???

Talvez a cidade continue "bronca", mas não precisa ser assim... Como fazer com que as pessoas se sintam pertencentes ao meio??? Porque quando nos sentimos parte do lugar, nós cuidamos, nós amamos!
Talvez com lambe-lambes... Talvez fazendo com que elas descubram os encantos da metrópole!

Afinal, amamos o que conhecemos, valorizamos o que gostamos... e assim, quem sabe, a cidade se torne civilizada.


*Civilidade = é o respeito pelas normas de convívio entre os membros duma sociedade organizada (Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Civilidade>. Acesso em 18/04/2015).

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

domingo, 2 de novembro de 2014

Tempo livre (?)

Para visitar uma exposição importante, sempre tem uma (grande) fila à espera dos visitantes ansiosos em conferir com seus próprios olhos o que todos estão comentando. 

Confesso que tenho uma certa preguiça de enfrenta-la, e acabo “perdendo” tais exposições, porém me propus a enfrentar o que fosse necessário e conferir OsGemeos no Galpão Fortes Villaça.
Fila na Av Rudge. Foto: @rslmagalhaes

Ver "A ópera da lua", foi mais uma daquelas descobertas urbanas, pois o Galpão Fortes Villaça fica fora do circuito. Apesar de conhecer bem a região, nunca tinha me aventurado a pé na várzea da Barra Funda. Algumas casas térreas, remanescentes da época em que os operários moravam próximos ás fábricas, ainda resistem; e pude presenciar uma senhora varrendo seu quintal (que estava limpo), apenas para curiar 1 os estranhos visitantes; mas a ocupação predominante é de pequenos galpões e oficinas.

Algumas fotos e pensamentos depois, consegui entrar na exposição! E como previsto, uma explosão de cores, texturas e pequenos detalhes que não passaram desapercebidos pelos meus olhos curiosos... me lembrei de quando apreciava o trabalho deles pelas ruas da Liberdade e do Cambuci, sem filas, sem seguranças apressando para “olhar rápido”. 

Horas de fila, foram compensadas por alguns minutos pertinho dos personagens, cenários, e um incrível boneco gigante com outros animados dentro do seu peito!
Detalhe de um painel dos grafiteiros OsGemeos. Foto: @rslmagalhaes

Dei uma voltinha para conhecer o galpão, que por sinal é um projeto bem atraente. Fui embora caminhando pelas ruas vazias e curtindo meu sábado de lazer.
O lazer, conceitualmente falando, tem quatro características fundamentais:

- Pessoal: liberdade de escolher o que fazer com o tempo livre. 
- Gratuito: não é no sentido de não pagar, e sim desinteressado.
- Hedonístico: prazeroso.
- Liberatório: liberação das obrigações, da fadiga.

Comparando essas características com minha experiência, comecei a questionar alguns pontos... A escolha pessoal poderia ter sido influenciada pelos meios de comunicação ou pelas relações interpessoais – afinal precisamos estar “antenados”! Porque eu iria querer ficar quase três horas em uma fila sob sol escaldante? 

Para me divertir!
Mas a fila não é divertida...

E aí entra a questão do gratuito. Quem disse que ficar em pé, com calor, sem sombra não é pagar? É um valor bem alto! E desinteressado? Muito questionável... Pois há interesse de conhecer, de saber, de estar integrado ao grupo social, entre outros.

Me atrevo a dizer que o lazer nem sempre é prazeroso... buscamos o deleite, mas o tédio pode ser o sentimento final. Talvez isso aconteça pela alta expectativa criada em torno do lazer, causada principalmente pela rotina fatigante da sociedade pós industrial.

A sociedade pós industrial é urbana – no Brasil 84,36% da população vive em áreas urbanas. As cidades devem permitir que a população usufrua seu direito ao lazer.

Existe uma recomendação de 12m² de área verde por habitante. Não existe uma área de lazer mínima para cada cidadão; afinal o lazer não exige espaço planejado.
Domingo no Minhocão. Foto: @rslmagalhaes

Andar pelas ruas é uma oportunidade de ver e ser visto, de ver paisagens naturais e construções humanas, de observar as pessoas em geral ou de encontrar-se com alguma pessoa em particular. (CAMARGO, p. 63).

E quem sabe encontrar consigo?


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1. Curiar = Observar. Expressão comum no nordeste do Brasil.


Referências:

Site
1. http://7a12.ibge.gov.br/vamos-conhecer-o-brasil/nosso-povo/caracteristicas-da-populacao. Acesso em 30/10/2014.

Publicações
1. CAMARGO, Luiz Octávio Lima. O que é lazer? São Paulo: Brasiliense, 1986.
2. CAVALHEIRO, F., DEL PICCHIA, P. C. D. Áreas verdes: conceitos, objetivos e diretrizes para o planejamento. In: ENCONTRO NACIONAL SOBRE ARBORIZAÇÃO URBANA, 4, 1992, Vitória/ES. Anais...vol.I. Vitória: 1992.p.29-38.

Aulas no SENAC-SP / Aclimação:
- Lazer: Profs Elaine Gomes e Fabio Ortolano



Aulas no UAM / Centro:
- Lazer: Prof Luiz Fernando

sábado, 11 de outubro de 2014

23°32' S / 46°38' O

A maioria de nós conhecemos as palavras longitude e latitude, mas poucos sabem o que elas definem!

O planeta Terra gira em torno de um eixo, e os Polos (Norte e Sul) são o encontro deste eixo na superfície terrestre. A longitude é o angulo medido a partir deste eixo, que chamamos de meridiano de Greenwich. A variação pode ser de 0-180º para Leste ou para Oeste.

No centro, e perpendicular a este eixo, esta o plano (ou linha) do Equador; onde a Terra se divide em dois hemisférios: o Norte e o Sul. A variação de ângulos paralelos ao Equador, chamadas de latitudes, pode ser de 0-90º para Norte ou para o Sul.
Latitude e longitude. Disponível em: <http://www.grupoescolar.com/a/b/43625.jpg>. Acesso em: 10/10/2014.

Para localizarmos algum ponto do plano, identificamos a intersecção neste grande quadriculado que divide o Planeta.

Em algum momento da história, foi convencionado esses padrões, e até hoje usamos. Coincidentemente (ou de propósito), os países ditos desenvolvidos (e dominantes) ficam na parte superior da representação gráfica do planeta (mapa mundi), e na parte inferior estão os países subalternos.

Porém, o mundo é redondo, e quem pode dizer onde é em cima, ou embaixo?

De qualquer maneira, nas últimas décadas os países "da parte de baixo", começaram a ter importância no cenário mundial, por diversos motivos... e um deles é a capacidade de produção.

O Brasil está entre eles. E São Paulo é o principal motivo!!!

Desde a era do Ouro Verde (café), a cidade tem uma participação significativa no desenvolvimento do país. Na década de 70 éramos o maior pólo industrial, concentrando mais de 45% da produção do Brasil.

Porém nos final dos anos 80, impulsionada pela mudança da Constituição - que deu maior autonomia para os municípios definirem seus tributos - São Paulo começa a perder as indústrias para as cidades que ofereciam melhores condições tributárias.

Mas a cidade se reorganizou, e ao longo das ultimas décadas, se especializou em atividades voltadas à prestação de serviços e comercialização de bens. Em 2013, a cidade foi responsável por quase 12% do PIB nacional, e desta participação mais de 64% vem das atividades ligadas aos Serviços/ Comércio.
Segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio SP), são mais de 1 milhão de trabalhadores registrados - somente no comercio varejista!

A Fecomercio SP é responsável pela administração de duas entidades importantes para os comerciários paulistas: o Serviço Social do Comércio (SESC) e, o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC).

O primeiro tem como objetivo proporcionar o bem-estar e qualidade vida, e o segundo desenvolver o conhecimento e o empreendedorismo.

Sou aluna do SENAC, sempre usei o SESC, e nunca fui comerciária... E isso é muito interessante, pois as duas instituições, sempre tiveram suas portas abertas para a comunidade!

E como usuária (nome dado aos não-comerciários), posso usufruir da infra-estrutura e programação cultural (intensa) das unidades do SESC da cidade. E são muitas! Existem 13 unidades, além do CineSesc.

Conheço apenas metade deles, e destes, posso dizer que o favorito é o Pompéia - Que merece um post exclusivo!

Sempre acompanho a agenda de algumas unidades, e em junho me inscrevi no Congresso Mundial do Turismo Social. E nesta semana, tive a oportunidade de participar do Congresso, organizado pelo SESC Consolação.

Esses três dias foram repletos de hospitalidade e profissionalismo. Senti o carinho que eles tiveram na elaboração da programação e das (várias) surpresas que tivemos ao longo do evento.

Festa de Encerramento do Congresso Mundial de Turismo Social. Fonte: https://www.facebook.com/SESCConsolacao/photos/a.184403018341811.44015.167246086724171/666725786776196/?type=1&theater. Acesso em: 10/10/2014

Apesar de ter contato com dados estatísticos do setor, pude comprovar que estamos muito desenvolvidos no quesito organização de eventos.

Não é toa que São Paulo é a líder brasileira de turismo de negócios, e aos poucos estamos ganhando o reconhecimento mundial, como o premio conquistado este ano, o  IFEA World Festival & Event City "como destino que não mede esforços para proporcionar um ambiente propício para eventos e festivais bem sucedidos" (NAKANE).


São Paulo está localizada na latitude 23º32' Sul... Acho que teremos que inverter o mapa mundi!!!

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Referências:

Sites
http://exame.abril.com.br/economia/album-de-fotos/as-30-cidades-que-mais-contribuem-para-o-pib-do-brasil
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/geografia/concentracao-e-desconcentracao-industrial-sao-paulo-e-centro-industrial-do-pais.htm
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/pibmunicipios/2011/default_xls.shtm
http://www.fecomercio.com.br/NoticiaArtigo/Artigo/11728
http://www.visitesaopaulo.com/press-releases-detalhe.asp?press=935
http://files.ifea.com/Awards/2014EventCity/2014IFEAWorldFestivalEventCityAwardEntrySaoPauloBrazil.pdf
- Todos acessados em 10/10/2014

Aulas no SENAC-SP / Aclimação
- Cartografia: Prof David Carolla

Aulas na UAM / Centro
- Geografia e Cartografia: Prof Maria Angela
- Organização de Eventos: Prof Andrea Nakane

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

O longo caminho...

Me interessei pelo turismo ainda na faculdade de Arquitetura. Logo após minha primeira viagem pela Europa, voltei determinada a fazer alguma coisa para São Paulo se tornar tão atrativa e cheia de visitantes quanto Paris!!! Queria entender o fenômeno para empreender meu próprio projeto: roteiros temáticos p/ conhecer a cidade.

         
Em meados de 2000, não conhecia nenhuma oferta de city tour pela cidade. Não compreendia como uma cidade com tantas coisas para serem vistas / mostradas, não tinha movimentação turística – não tinha, sob a ótica de uma estudante de arquitetura...

Exposição Cai Guo-Qiang: Da Vincis do Povo – CCBB / SP. Foto: @rslmagalhaes
           
Mas segui outros caminhos, e somente este ano pude me dedicar ao antigo projeto. 
          
Desde a primeira aula na faculdade, tive certeza que Turismo é o que me faria feliz! E a cada competência alcançada, sinto que ser Guia de Turismo é o que vai me satisfazer!
           
Até agora, estou percebendo meu papel, concebendo o personagem, adequando meus talentos e aprendendo as técnicas para estrear o espetáculo! Gosto de pensar sob a ótica teatral. 
        
O teatro esteve bem perto de mim, pois durante algum tempo me empenhei para aprender, porém não tenho vocação para a arte dramática. Apesar disso, abracei todas as oportunidades de conhecer diversas formas de fazer teatro, para diversificar meu repertório - que continua pequeno se pensarmos nas possibilidades que o palco oferece.
           
Umas dessas oportunidades, foi assistir uma das peças que participava do 5° Festival de Teatro da Cidade de São Paulo: “O longo caminho que vai de Zero a Ene”; peça escrita pelo paulista Timochenco Wehbi (1943-1986), encenada pelos atores Anderson Negreiro e David Carolla com direção de Wanderley Damaceno, que narra a trajetória de dois personagens que tem aspirações diferentes, porém dependem um do outro para existir.


O longo caminho que vai de Zero a Ene. Foto: Flávia Rossette. Disponível em https://www.facebook.com/photo.php?fbid=4231411842437&set=t.100001113632259&type=3&theater. Acessado em 02/10/2014.
        
Além da produção impecável, a excelente atuação dos atores, deixou o texto acessível para assimilação de um ou mais sentido da Perseguição – outro nome dado à peça.
          
A perseguição sem objetivos claros, a cegueira para perceber o que de fato é importante, e as máscaras que usamos para nos adequar, foram as principais mensagens que captei da peça. Obviamente, influenciadas pela minha trajetória e principalmente cenário atual.
          
O processo de transformação, de adequação, e principalmente de autoconhecimento é essencial para corrigir os rumos e percorrer os novos roteiros!

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Turismo está na moda!

Após o megaevento Copa do Mundo Fifa 2014, o Brasil começa a perceber que o Turismo é um bom negócio. Mas afinal o que é o Turismo?
Recorrendo ao dicionário, encontramos a seguinte definição: “Viagem ou excursão feita por prazer, a locais que despertam interesse”1. Simples, mas com dois conceitos importantes: o deslocamento e o prazer.
Analisando sob a ótica acadêmica-cientifica, encontramos diversas conceituações; porém uma delas tenta abranger os diversos aspectos do tema:  

[...] um fenômeno sociocultural que envolve o transporte, a estadia, as motivações, a hospedagem, a hospitalidade, os impactos e os setores econômicos, culturais, sociais e ambientais afetados e alimentados pelo deslocamento de pessoas no globo terrestre. (LOHMANN e NETTO, 2012, p. 92).

A OMT - Organização Mundial do Turismo -  que é agência liga à ONU, organizou em 1991, a Conferencia Internacional de Estatísticas em Viagens e Turismo; onde foram criadas algumas terminologias especificas para o setor. Entre elas, uma definição de Turismo, que foi adotada por dezenas de países e organismos:

Compreende as atividades de pessoas em viagem e sua permanência nos lugares fora de sua residência habitual por não mais do que um ano consecutivo por lazer, negócios e outros propósitos não relacionados ao exercício de uma atividade remunerada no local visitado. (NETTO, 2013, p.30)

E no Brasil, em 2008, foi sancionada a Lei 11.771, que estabelece normas sobre a Política Nacional de Turismo; nas disposições preliminares, o Turismo é definido como:

[...] considera-se turismo as atividades realizadas por pessoas físicas durante viagens e estadas em lugares diferentes do seu entorno habitual, por um período inferior a 1 (um) ano, com finalidade de lazer, negócios ou outras.
Parágrafo único.  As viagens e estadas de que trata o caput deste artigo devem gerar movimentação econômica, trabalho, emprego, renda e receitas públicas, constituindo-se instrumento de desenvolvimento econômico e social, promoção e diversidade cultural e preservação da biodiversidade. (BRASIL. Lei nº 11.711, de 17 de setembro de 2008)

Além da definição do que o Turismo, esta Lei trata da Política, do Plano e do Sistema Nacional do Turismo.
Vale destacar que um dos objetivos da Política é “promover, descentralizar e regionalizar o turismo, estimulando Estados, Distrito Federal e Municípios a planejar, em seus territórios, as atividades turísticas de forma sustentável e segura, inclusive entre si, com o envolvimento e a efetiva participação das comunidades receptoras nos benefícios advindos da atividade econômica”.
Pela complexidade / multidisciplinaridade, podemos considerar todas as definições acima, o importante é entender os conceitos envolvidos: deve haver o deslocamento, existe um propósito da visita que não deve ser remunerado, tem uma duração máxima e não mínima e principalmente: vai gerar experiências variadas e impactos diversos (NETTO, 2013, p. 33).

Turistas na praia de Santo André - Sta Cruz de Cabrália / BA. Foto: @rslmagalhaes

Uma vez entendido o que é Turismo, é necessário expor os princípios e enfatizar os valores do fenômeno. A OMT, durante a Assembleia General em Santiago do Chile, em 1999, decreta o Código Ético Mundial para o Turismo para “[...] promover o ordenamento turístico mundial equitativo, responsável e sustentável [...]”.
Lembrando que ética é “o conjunto de normas e princípios que norteiam a boa conduta do ser humano”1.
No primeiro item do capitulo 1, que trata da contribuição do Turismo para o entendimento e respeito mútuo entre homens e as sociedades, é explicitado a importância social do Turismo:

A compreensão e a promoção dos valores éticos comuns da humanidade, em um espírito de tolerância e respeito à diversidade, às crenças religiosas, filosóficas e morais são, por sua vez, o fundamento e a consequência de um turismo responsável. Os agentes do desenvolvimento turístico e os próprios turistas deverão prestar atenção às tradições e práticas sociais e culturais de todos os povos, incluindo as minorias nacionais e as populações autóctones, e reconhecerão suas riquezas. (OMT, 1999)

E logo em seguida, no item 3, o código expressa a responsabilidade dos agentes envolvidos:

Tanto as comunidades receptoras como os agentes profissionais locais terão que aprender a conhecer e respeitar os turistas que os visitam, informar-se sobre sua forma de vida, seus gostos e suas expectativas. A educação e a formação que competem aos profissionais contribuirão para uma recepção hospitaleira aos turistas. (OMT, 1999).

Usaremos o sentido de ação, para a designação de agente – portanto podemos pensar em um organismo que age – e, num breve exercício, podemos tentar enumerar os agentes do Turismo: transportadoras (áreas, rodoviárias, marítimas, ferroviárias e fluviais), meios de hospedagem, operadoras e agências de viagens, guias de turismo, bares e restaurantes, entidades e associações de classe, poder público, entre outros. Todos deles, devem seguir os princípios éticos estabelecidos no Código.

Dos agentes citados, destacaremos o guia de turismo, pois ele é o único profissional do trade turístico brasileiro. A lei nº 8.623/93 e decreto nº 946/93, regulamentam a profissão:

[...] é considerado Guia de Turismo o profissional que, devidamente cadastrado no Instituto Brasileiro de Turismo - EMBRATUR, exerça atividades de acompanhar, orientar e transmitir informações a pessoas ou grupos, em visitas, excursões urbanas, municipais, estaduais, interestaduais, internacionais ou especializadas. (BRASIL. Lei nº 8.623, de 28 de janeiro de 1993).

Guia em ação - Av Paulista/ SP. Foto: @rslmagalhães

Atualmente o cadastro é feito pelo Ministério do Turismo, através do sistema CADASTUR. Para se obter tal cadastro é necessário concluir o Curso de Formação Profissional de Guia de Turismo, que tem no mínimo 800 horas aula, além de outras burocracias do sistema.
Esta formação profissional capacita o indivíduo para cumprir com as principais atribuições listadas na lei:
a) acompanhar, orientar e transmitir informações a pessoas ou grupos em visitas, excursões urbanas, municipais, estaduais, interestaduais ou especializadas dentro do território nacional;
b) acompanhar ao exterior pessoas ou grupos organizados no Brasil;
c) promover e orientar despachos e liberações de passageiros e respectivas bagagens, em terminais de embarque e desembarque aéreos, marítimos, fluviais, rodoviários e ferroviários;
d) ter acesso a todos os veículos de transportes, durante o embarque ou desembarque para orientar as pessoas ou grupos sobre sua responsabilidade, observadas as normas específicas do respectivo terminal.
“No exercício da profissão, o Guia de Turismo deverá conduzir-se com dedicação, decoro e responsabilidade [...]”, este início do Art 9º da Lei, remete ao comportamento esperado dos agentes envolvidos no Turismo segundo o Código de Ética da OMT:
DECORO = honesto, adequado = RESPEITOSO
+
DEDICAÇÃO = dedicar, pôr-se ao serviço de = HOSPITALEIRO

E quando analisamos o ambiente que ele atua, essas aptidões se tornam mais relevantes, pois um grupo de turistas é formado por indivíduos de culturas e valores totalmente diversos, com expectativas distintas.
Ter habilidade nas relações interpessoais é essencial para conduzir o grupo, pois o guia deve ser um mediador para lidar com os conflitos - entre os integrantes do grupo, entre o grupo e o destino/ atrativo, entre o grupo e os demais agentes do turismo; e líder do grupo para cumprir com a programação de forma eficaz (certa) e eficiente (produtiva).
Além de ter sensibilidade para perceber o grupo, agilidade para tomar as decisões necessárias e conhecimento para saber fazer o que for possível dentro do que é permitido.
Sem esquecer, obviamente, de ser hospitaleiro, que na segunda definição de Ferreira é o “que acolhe com satisfação”1.
Tudo isso, para atender as expectativas do grupo, que no mínimo querem um serviço prestado com qualidade. E qualidade tem conotação positiva, porém subjetiva, pois cada indivíduo tem sua referência do que é bem feito, bem organizado, bem projetado.

Não, não temos superpoderes. Tampouco viemos de outro planeta.

Somos guias de turismo! Profissionais capacitados para conduzi-los as experiências   genuínas que o Turismo proporciona!

MachuPichu/ Peru. Foto: @rslmagalhaes


Referências:

Sites

Publicações
1. FERREIRA, A. B. H. Mini Aurélio século XXI: o minidicionário da Língua Portuguesa. 4. ed. rev. ampliada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.
2. NETTO, Alexandre Panosso. O que é Turismo? São Paulo: Brasiliense, 1º reimpressão, 2013.
3. LOHMANN, Guilherme; NETTO, Alexandre Panosso. Teoria do Turismo: conceitos, modelos e sistemas. São Paulo: Aleph, 2012.

Aulas no SENAC-SP / Aclimação
- Relacionamento Interpessoais: Prof Wanderlei Damaceno
- Qualidade: Prof David Carolla
- Funções e Legislação: Prof Adriana

sexta-feira, 26 de setembro de 2014