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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Turismo está na moda!

Após o megaevento Copa do Mundo Fifa 2014, o Brasil começa a perceber que o Turismo é um bom negócio. Mas afinal o que é o Turismo?
Recorrendo ao dicionário, encontramos a seguinte definição: “Viagem ou excursão feita por prazer, a locais que despertam interesse”1. Simples, mas com dois conceitos importantes: o deslocamento e o prazer.
Analisando sob a ótica acadêmica-cientifica, encontramos diversas conceituações; porém uma delas tenta abranger os diversos aspectos do tema:  

[...] um fenômeno sociocultural que envolve o transporte, a estadia, as motivações, a hospedagem, a hospitalidade, os impactos e os setores econômicos, culturais, sociais e ambientais afetados e alimentados pelo deslocamento de pessoas no globo terrestre. (LOHMANN e NETTO, 2012, p. 92).

A OMT - Organização Mundial do Turismo -  que é agência liga à ONU, organizou em 1991, a Conferencia Internacional de Estatísticas em Viagens e Turismo; onde foram criadas algumas terminologias especificas para o setor. Entre elas, uma definição de Turismo, que foi adotada por dezenas de países e organismos:

Compreende as atividades de pessoas em viagem e sua permanência nos lugares fora de sua residência habitual por não mais do que um ano consecutivo por lazer, negócios e outros propósitos não relacionados ao exercício de uma atividade remunerada no local visitado. (NETTO, 2013, p.30)

E no Brasil, em 2008, foi sancionada a Lei 11.771, que estabelece normas sobre a Política Nacional de Turismo; nas disposições preliminares, o Turismo é definido como:

[...] considera-se turismo as atividades realizadas por pessoas físicas durante viagens e estadas em lugares diferentes do seu entorno habitual, por um período inferior a 1 (um) ano, com finalidade de lazer, negócios ou outras.
Parágrafo único.  As viagens e estadas de que trata o caput deste artigo devem gerar movimentação econômica, trabalho, emprego, renda e receitas públicas, constituindo-se instrumento de desenvolvimento econômico e social, promoção e diversidade cultural e preservação da biodiversidade. (BRASIL. Lei nº 11.711, de 17 de setembro de 2008)

Além da definição do que o Turismo, esta Lei trata da Política, do Plano e do Sistema Nacional do Turismo.
Vale destacar que um dos objetivos da Política é “promover, descentralizar e regionalizar o turismo, estimulando Estados, Distrito Federal e Municípios a planejar, em seus territórios, as atividades turísticas de forma sustentável e segura, inclusive entre si, com o envolvimento e a efetiva participação das comunidades receptoras nos benefícios advindos da atividade econômica”.
Pela complexidade / multidisciplinaridade, podemos considerar todas as definições acima, o importante é entender os conceitos envolvidos: deve haver o deslocamento, existe um propósito da visita que não deve ser remunerado, tem uma duração máxima e não mínima e principalmente: vai gerar experiências variadas e impactos diversos (NETTO, 2013, p. 33).

Turistas na praia de Santo André - Sta Cruz de Cabrália / BA. Foto: @rslmagalhaes

Uma vez entendido o que é Turismo, é necessário expor os princípios e enfatizar os valores do fenômeno. A OMT, durante a Assembleia General em Santiago do Chile, em 1999, decreta o Código Ético Mundial para o Turismo para “[...] promover o ordenamento turístico mundial equitativo, responsável e sustentável [...]”.
Lembrando que ética é “o conjunto de normas e princípios que norteiam a boa conduta do ser humano”1.
No primeiro item do capitulo 1, que trata da contribuição do Turismo para o entendimento e respeito mútuo entre homens e as sociedades, é explicitado a importância social do Turismo:

A compreensão e a promoção dos valores éticos comuns da humanidade, em um espírito de tolerância e respeito à diversidade, às crenças religiosas, filosóficas e morais são, por sua vez, o fundamento e a consequência de um turismo responsável. Os agentes do desenvolvimento turístico e os próprios turistas deverão prestar atenção às tradições e práticas sociais e culturais de todos os povos, incluindo as minorias nacionais e as populações autóctones, e reconhecerão suas riquezas. (OMT, 1999)

E logo em seguida, no item 3, o código expressa a responsabilidade dos agentes envolvidos:

Tanto as comunidades receptoras como os agentes profissionais locais terão que aprender a conhecer e respeitar os turistas que os visitam, informar-se sobre sua forma de vida, seus gostos e suas expectativas. A educação e a formação que competem aos profissionais contribuirão para uma recepção hospitaleira aos turistas. (OMT, 1999).

Usaremos o sentido de ação, para a designação de agente – portanto podemos pensar em um organismo que age – e, num breve exercício, podemos tentar enumerar os agentes do Turismo: transportadoras (áreas, rodoviárias, marítimas, ferroviárias e fluviais), meios de hospedagem, operadoras e agências de viagens, guias de turismo, bares e restaurantes, entidades e associações de classe, poder público, entre outros. Todos deles, devem seguir os princípios éticos estabelecidos no Código.

Dos agentes citados, destacaremos o guia de turismo, pois ele é o único profissional do trade turístico brasileiro. A lei nº 8.623/93 e decreto nº 946/93, regulamentam a profissão:

[...] é considerado Guia de Turismo o profissional que, devidamente cadastrado no Instituto Brasileiro de Turismo - EMBRATUR, exerça atividades de acompanhar, orientar e transmitir informações a pessoas ou grupos, em visitas, excursões urbanas, municipais, estaduais, interestaduais, internacionais ou especializadas. (BRASIL. Lei nº 8.623, de 28 de janeiro de 1993).

Guia em ação - Av Paulista/ SP. Foto: @rslmagalhães

Atualmente o cadastro é feito pelo Ministério do Turismo, através do sistema CADASTUR. Para se obter tal cadastro é necessário concluir o Curso de Formação Profissional de Guia de Turismo, que tem no mínimo 800 horas aula, além de outras burocracias do sistema.
Esta formação profissional capacita o indivíduo para cumprir com as principais atribuições listadas na lei:
a) acompanhar, orientar e transmitir informações a pessoas ou grupos em visitas, excursões urbanas, municipais, estaduais, interestaduais ou especializadas dentro do território nacional;
b) acompanhar ao exterior pessoas ou grupos organizados no Brasil;
c) promover e orientar despachos e liberações de passageiros e respectivas bagagens, em terminais de embarque e desembarque aéreos, marítimos, fluviais, rodoviários e ferroviários;
d) ter acesso a todos os veículos de transportes, durante o embarque ou desembarque para orientar as pessoas ou grupos sobre sua responsabilidade, observadas as normas específicas do respectivo terminal.
“No exercício da profissão, o Guia de Turismo deverá conduzir-se com dedicação, decoro e responsabilidade [...]”, este início do Art 9º da Lei, remete ao comportamento esperado dos agentes envolvidos no Turismo segundo o Código de Ética da OMT:
DECORO = honesto, adequado = RESPEITOSO
+
DEDICAÇÃO = dedicar, pôr-se ao serviço de = HOSPITALEIRO

E quando analisamos o ambiente que ele atua, essas aptidões se tornam mais relevantes, pois um grupo de turistas é formado por indivíduos de culturas e valores totalmente diversos, com expectativas distintas.
Ter habilidade nas relações interpessoais é essencial para conduzir o grupo, pois o guia deve ser um mediador para lidar com os conflitos - entre os integrantes do grupo, entre o grupo e o destino/ atrativo, entre o grupo e os demais agentes do turismo; e líder do grupo para cumprir com a programação de forma eficaz (certa) e eficiente (produtiva).
Além de ter sensibilidade para perceber o grupo, agilidade para tomar as decisões necessárias e conhecimento para saber fazer o que for possível dentro do que é permitido.
Sem esquecer, obviamente, de ser hospitaleiro, que na segunda definição de Ferreira é o “que acolhe com satisfação”1.
Tudo isso, para atender as expectativas do grupo, que no mínimo querem um serviço prestado com qualidade. E qualidade tem conotação positiva, porém subjetiva, pois cada indivíduo tem sua referência do que é bem feito, bem organizado, bem projetado.

Não, não temos superpoderes. Tampouco viemos de outro planeta.

Somos guias de turismo! Profissionais capacitados para conduzi-los as experiências   genuínas que o Turismo proporciona!

MachuPichu/ Peru. Foto: @rslmagalhaes


Referências:

Sites

Publicações
1. FERREIRA, A. B. H. Mini Aurélio século XXI: o minidicionário da Língua Portuguesa. 4. ed. rev. ampliada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.
2. NETTO, Alexandre Panosso. O que é Turismo? São Paulo: Brasiliense, 1º reimpressão, 2013.
3. LOHMANN, Guilherme; NETTO, Alexandre Panosso. Teoria do Turismo: conceitos, modelos e sistemas. São Paulo: Aleph, 2012.

Aulas no SENAC-SP / Aclimação
- Relacionamento Interpessoais: Prof Wanderlei Damaceno
- Qualidade: Prof David Carolla
- Funções e Legislação: Prof Adriana

sábado, 12 de julho de 2014

Hospitalidade urbana

O visitante chega na cidade e é exposto a novas percepções; a condição urbana de uma megacidade, situações diferentes de sua rotina, as ações dos moradores... E talvez essa é a maior experiencia de vida que ele procura, afinal quando estamos no papel de turista, procuramos nos aproximar de uma realidade diferente da nossa; novas culturas, novos espaços, novas pessoas!

Mas afinal, o que SP oferece?

Além das respostas obvias: vida noturna intensa, gastronomia diversa, diversidade cultural, etc... SP oferece a CIDADE! 
E qual é essa cidade? 


Podemos responder esta pergunta analisando diversos aspectos: a 3º megacidade do mundo (em população), a capital do estado com o maior PIB do Brasil (33% do total do país), capital mundial da gastronomia (representando a culinária de 51 países), etc...

E se continuarmos as pesquisas, SP é campeão, ou está entre os TOP 10 de alguma lista do mundo.

Porém, um aspecto me interessa, como estudante de Turismo, e futura Guia de Turismo: nossa cidade oferece hospitalidade ao visitante?
    
O que é hospitalidade?

Posso citar algumas teorias sobre o tema, mas gosto de uma definição bem simples, apresentada pelo prof Chicão (Francisco de Canindé Gentil Vieira): é o traquejo social para receber, hospedar, alimentar e entreter nosso convidado.
E o termo traquejo social engloba os rituais, costumes, educação, cultura, atitudes e valores do anfitrião.

Então, lembrei de um artigo que li sobre o tema, escrito por um arquiteto - Lucio Grinover, ele apresenta três dimensões que podemos analisar a hospitalidade urbana: acessibilidade, legibilidade e identidade.

- Acessibilidade
Possibilidade de acesso aos espaços, serviços e atividades oferecidas na cidade; por TODOS!

Temos que ter acessibilidade física de locomoção - equipamentos preparados para receber QUALQUER pessoa, meios de transportes que nos levam a qualquer lugar; mas além disso, precisamos PODER frequentar escolas, museus, parques, hospitais, e todos estes equipamentos estarem aptos a nos receber e nos atender!


Então vai além do acesso físico aos equipamentos, é a possibilidade SOCIAL de VIVER na cidade, exercer - de fato - a CIDADANIA
.


- Legibilidade
Trata-se da qualidade visual de uma cidade, da "facilidade com que as partes de uma cidade podem ser reconhecidas".    A possibilidade do cidadão ler a cidade, e fazer sua própria interpretação do lugar; perceber, ler e interpretar a cidade a partir de seu estilo de vida, cultura e valores.

No ponto de vista prático, e a possibilidade de ter os códigos / signos da cidade perceptíveis aos habitantes (fixos ou temporários); podemos exemplificar com a geografia da cidade de SP; totalmente "coberta" pela construção, modificada pela ocupação de forma tão intensa que não conseguimos identificar os elementos naturais como rios e morros; e trocamos tal leitura por avenidas (Paulista no topo da cidade), parques (Anhangabaú que cobre o córrego), e até edifícios que fazem papel de mirantes (Altino Arantes - Banespa).

- Identidade
Sempre "em processo" de formação, a identidade de uma cidade muda conforme as transformações sociais do mundo. 

Isso fica claro quando percebemos que as diferenças culturais que definiam a identidade do lugar, vem cedendo lugar às linguagem internacionais, por conta da globalização, fenômeno conhecido como "homogeneização cultural". 


Vamos levar nossos visitantes para tomar um café no Floresta (Copan) ou no Starbucks???? 

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Então voltamos a pergunta: SP é hospitaleira? 

Analisando essas três dimensões, a cidade ainda está sendo construída; e espero que um dos legados do megaevento COPA 2014, seja a pedra fundamental para uma cidade acessível, legível e única!


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Fotos: Vale do Anhangabaú; Pinacoteca do Estado; Pateo do Colégio - @rslmagalhaes

Referências:
http://www.revistas.univerciencia.org/turismo/index.php/hospitalidade/article/viewFile/191/206
http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/as-21-mega-cidades-do-mundo#4
http://www.terra.com.br/economia/infograficos/pib-do-brasil/
http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/12/55-cidades-concentravam-50-do-pib-do-brasil-em-2011-diz-ibge.html
http://www.abresi.com.br/realizacoes_capital_mundial_da_gastronomia.htm
http://www.brasilescola.com/sociologia/cidadania-ou-estadania.htm